terça-feira, 26 de maio de 2015

Países pobres são destino 'de 80% do lixo eletrônico de nações ricas'

Os países em desenvolvimento são o destino de 80% do lixo eletrônico produzido nas nações ricas, mas carecem da infraestrutura, de tecnologias de reciclagem apropriadas e da regulamentação legal para absorver essa vasta quantidade de detritos.
Essa é uma das conclusões de um relatório divulgado nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Especificamente em relação à América Latina, o documento afirma que a maior parte dos países da região ''ainda precisa elaborar uma legislação para o lixo eletrônico''.
Segundo o documento O Impacto Global do Lixo Eletrônico: Lidando com o Desafio, boa parte do lixo eletrônico exportado para as nações em desenvolvimento é enviado ilegalmente, e estes detritos acabam indo parar em plantas de reciclagem informais, predominantemente em países como China, Índia, Gana e Nigéria.
O documento afirma que houve avanços recentes na região, como na Costa Rica, o primeiro país latino-americano a criar uma legislação nacional específica sobre o tema.

Ônus

De acordo com o estudo, ''as nações em desenvolvimento estão tendo de lidar com o ônus de um problema global, sem ter a tecnologia para lidar com isso. Além disso, os países em desenvolvimento estão eles próprios cada vez gerando maiores quantidades de lixo eletrônico'.
O estudo afirma que está havendo um aumento rápido na geração de lixo eletrônico doméstico produzido na China, no Leste Europeu e na América Latina.
Um total de 40 bilhões de toneladas de lixo eletrônico é produzido anualmente. Estima-se que 70% dos produtos eletrônicos descartados e exportados todos os anos vá parar na China e que esta proporção estaria aumentando.
Muitas vezes, esse lixo exportado para a China é reexportado para outros países do Sudoeste asiático, como Cambodja e Vietnã.
De um modo geral, as exportações de pequeno porte são destinadas a países da África Ocidental. Mas o relatório diz que essa proporção deverá crescer, devido à adoção de leis mais duras por parte dos países do Sudeste Asiático, que costumavam absorver parte desse comércio.
Entre os principais problemas ligados ao lixo eletrônico, de acordo com o relatório, estão a ausência de regulamentações para assegurar a segurança dos que lidam com esses produtos descartados e a falta de incentivos financeiros para reciclar detritos eletrônicos de forma responsável.
A manipulação desses detritos traz vários riscos à saúde pela presença de materiais tóxicos.
Entre as recomendações feitas no documento da OIT, está a adoção de legislações apropriadas por parte dos países em desenvolvimento, a regularização do setor informal de reciclagem e a organização de trabalhadores que lidam com detritos eltrônicos em cooperativas.
Fonte: bbc

terça-feira, 19 de maio de 2015

Maiores Produtores

Os maiores produtores de lixo eletrônico do mundo, segundo o Pnuma, são a Europa e a América do Norte, com a Ásia se aproximando rapidamente.
Já a Ásia e a África são os maiores destinos desse material descartado. Os países que mais recebem o lixo eletrônico são Gana, Nigéria, Cote d'Ivoire, ou Costa do Marfim e República do Congo.
Ainda na lista estão China, Hong Kong, Paquistão, Índia, Bangladesh e Vietnã.

Interpol

A Interpol calcula que o preço da tonelada de lixo eletrônico esteja por volta de US$ 500. Várias ações para combater o problema estão sendo aplicadas em alguns países.
O relatório do Pnuma cita a retirada de metais e de outros materiais de dentro dos produtos eletrônicos, que podem ajudar a reduzir o lixo produzido, diminuir a pressão sobre o meio ambiente e também gerar empregos e renda.
A agência da ONU diz que o mercado global desse tipo de material, indo desde a coleta até a reciclagem, movimenta US$ 410 bilhões por ano.

41 Milhões de Toneladas

De acordo com um novo relatório do Pnuma sobre o assunto, a indústria do setor gera, por ano, 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico de produtos como computadores e telefones celulares.
E a situação deve piorar nos próximos anos. Os especialistas dizem que até 2017, a quantidade de lixo eletrônico deve chegar a 50 milhões de toneladas.
Segundo Steiner, isso representa não só grande parte da montanha de lixo não reciclável global, mas também, uma ameaça à saúde das pessoas e ao meio ambiente, devido aos elementos tóxicos contidos no material.
Aproximadamente 90% desse material, avaliado em US$ 19 bilhões, o equivalente a R$ 56 bilhões, é ilegalmente vendido ou descartado anualmente.

Fotos de como reaproveitar seu lixo eletronico




Reaproveitamento

O reaproveitamento do lixo eletrônico está cada vez mais presente e acessível, porém existe uma parcela de material que acaba sendo menosprezados.
Amenizando essa gama tão grande e preocupante de material sem destino correto, temos alguns exemplos de solução que visa, diminuir esse problema e gera capital.

A reciclagem traz os seguintes beneficios :

  •  Contribui para diminuir a poluição do solo, água e ar
  •  Melhora a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população
  •  Prolonga a vida útil de aterros sanitários
  •  Melhora a produção de compostos orgânicos
  •  Gera empregos para a população não qualificada
  •  Gera receitas com a comercialização dos recicláveis

A politica do 5 R´S

Reduzir, Reutilizar, Recuperar, Renovar e Reciclar são as palavras chave para quem quer ser um defensor do meio ambiente.
Com essa política do 5 R´s o planeta fica com o sorriso de lado a lado ao ver o lixo diminuir.

Reciclagem

Reciclagem é o processo que visa transformar materiais usados em novos produtos com vista a sua reutilização. Por este processo, materiais que seriam destinados ao lixo permanente podem ser reaproveitados. É um termo que tem sido cada vez mais utilizado como alerta para a importância da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

90% do lixo eletronico do mundo é jogado em paises africanos

Com o título “Da ciência à ação: trabalhando para um futuro mais seguro”, um evento reuniu quase 1.200 participantes de 171 países (entre eles o Brasil) em Genebra, na Suíça, entre os dias 4 a 15 de maio. O objetivo foi pensar sobre a maneira mais ecologicamente correta de o mundo se livrar do lixo eletrônico e dos chamados poluentes orgânicos (pesticidas).
O nome do encontro é extenso: Conferência das Partes das Convenções de Basileia, Estocolmo e Roterdam. Ele reúne os países signatários a estes três tratados que traçaram estratégias nesse sentido. Acontece de dois em dois anos e, dessa vez, converge com a COP-21, que vai acontecer no fim do ano em Paris, de onde se espera um acordo mundial que vá cuidar de livrar o planeta de outro risco, o das emissões de carbono. Ou seja: a um só tempo a humanidade cria meios de se envenenar e busca fabricar antídotos. E assim caminhamos em nossa era dos paradoxos.
No quesito lixo eletrônico, é a África que mais sofre. Segundo dados da United Nations Environment Programme (Unep), órgão das Nações Unidas voltado para o meio ambiente, até 90% do lixo eletrônico do mundo são despejados de qualquer jeito, sobretudo nesse continente, sem obedecer a nenhum critério ou respeito pelo homem ou pela natureza.
Repórteres da Deutsche Welle (DW) emissora internacional da Alemanha, publicaram uma reportagem no site da instituição em 2012 (veja aqui) descrevendo o horror que é trabalhar num lixão de produtos eletrônicos em Gana, que naquela época tinha em seu território 170 mil toneladas de lixo eletrônico. O ar é insuportável, contam, e muitos catadores que ganham a vida vendendo aqueles produtos acabam adoecendo.
No que difere dos nossos lixões? É que lá há certeza de os catadores estarem mexendo com artefatos altamente tóxicos, aqui nem sempre. Um detalhe nada irrelevante.
Mas vale a pergunta: por que exportar para a África artigos eletrônicos defeituosos ou inoperantes? Segundo os jornalistas, a razão é simples: custa mais barato do que reciclar devidamente os resíduos no mundo industrializado de onde se originam.
“Um negócio muito mais lucrativo é vender o lixo eletrônico a negociantes locais, que o importam alegando tratar-se de material usado. Os negociantes depois vendem o lixo a jovens no mercado e eles o desmantelam e extraem os fios de cobre. Estes são derretidos em lareiras ao ar livre, poluindo o ar e, muitas vezes, intoxicando diretamente os próprios jovens”, diz o texto da reportagem.
Na reunião em Genebra, foram dados alguns passos para acertar o conceito de lixo eletrônico. Há os aparelhos que pararam de funcionar porque estão obsoletos, para os quais não há mais peças. Há aqueles que ainda funcionam mas, simplesmente, são trocados porque surgiram outros, mais novos. Lá também foram estipuladas orientações de reciclagem, reparo e reuso de elementos não perigosos dos aparelhos. Será, talvez, o primeiro tratado internacional que prevê tais medidas.
Agrotóxicos
E, já que o Brasil continua insistindo na posição de maior país consumidor de agrotóxicos do mundo, vale a pena olharmos com atenção o que foi debatido sobre poluentes orgânicos persistentes na reunião de Genebra.
Houve um certo desânimo entre os participantes, segundo o site oficial do evento (leia aqui, em inglês). É que há 11 anos os países signatários se debruçam sobre o tema e, dessa vez, não conseguiram consenso sobre a periculosidade de alguns itens. O Brasil é signatário de todas as Convenções que debateram a questão.
Secretário Executivo da FAO (Food and Agriculture Organization) na Convenção de Roterdam, Clayton Campanhola comentou, na reunião de Genebra, que "pesticidas perigosos não estão ajudando os países a produzirem mais alimentos e, ao contrário disso, estão causando impactos negativos sobre os recursos naturais e a saúde das comunidades rurais e consumidores”. Um recado direto para as grandes empresas produtoras de tais químicas, que alegam que elas são necessárias para livrar a agricultura de pragas e, assim, conseguir alimentar as 7 bilhões de pessoas. 
Pois até mesmo a bióloga Rachel Carson, considerada a precursora na luta contra os pesticidas, cuja tese publicada em livro – “Primavera silenciosa” (Ed. Gaia) – conseguiu forçar a proibição do uso do DDT nos Estados Unidos em 1972, já foi contestada. James Lovelock, o polêmico físico autor da Teoria de Gaia* em 1979, no seu último livro, lançado ano passado – “A Rough Ride to the Future”, ainda sem tradução no Brasil – acusa Carson de ter provocado a morte de milhões de pessoas, já que sem o DDT para controlar a malária, a doença se espalhou.
Só há um problema nessa declaração do físico, diz o jornalista George Monbiot em seu blog no jornal britânico “The Guardian” (leia aqui, em inglês). O problema é que não é verdade. Não houve proibição para o uso de DDT para efeitos de controle de malária. A proibição é para usos agrícolas, e uma das razões para isso era o de garantir, justamente, que os mosquitos da malária não se tornassem imune ao DDT.
“Em outras palavras, a realidade é exatamente o oposto da afirmação de Lovelock: a proibição do uso indiscriminado do DDT é provável que tenha salvado vidas ao invés de destruí-las”, escreve Monbiot.
Em linhas gerais, os poluentes orgânicos persistentes têm propriedades tóxicas, são resistentes à degradação, são transportados pelo ar, pela água e pelas espécies migratórias atravessando fronteiras. Acumulam-se em ecossistemas terrestres e aquáticos.
Ou seja: não dá para relativizar sobre produtos que trazem tantos problemas, não só às pragas que foram criados para combater, mas à vida humana e de outras espécies no planeta. O jeito que se tem é conseguir criar outros antídotos aos nossos próprios venenos e eliminar os mais perigosos. Nesse sentido é que se percebe a importância de encontros internacionais como esse, de Genebra.
Reunidos na Convenção de Estocolmo, em 2004, os especialistas conseguiram a proibição, entre os países signatários, de 12 espécies de Poluentes Orgânicos Persistentes, entre eles o DDT.
Já o encontro de Genebra ratificou que: naftalenos policlorados, hexaclorobutadieno e pentaclorofenol e seus sais e ésteres são Poluentes Orgânicos Persistentes que ameaçam a saúde humana e o meio ambiente. E Metamidofós é um inseticida organofosforado extremamente tóxico, causando sérios efeitos adversos para a saúde humana, em particular para o sistema nervoso e sistemas reprodutivos. Este último foi banido do Brasil em 2012.
*Segundo a Teoria de Gaia, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de obter energia para seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros seres vivos, um organismo capaz de se autorregular.